sábado, 7 de Novembro de 2009

Quinta dos Garnachos Touriga Nacional 2007

Um vinho vindo lá dos lados de Gouveia, que nunca tínhamos provado. Mais uma vez, a Touriga Nacional é dona do vinho, sendo só a mesma a fazer parte do lote. Conhecemos muito pouco desta Quinta. Carlos Ferreira é o proprietário e o enólogo se não estamos em erro é o mesmo da Cooperativa de Vila Nova de Tázem, Pedro Nuno Pereira.
O vinho está com uma cor vermelha de média intensidade. Quando nos confrontámos com a primeira “cheiradela”, são aromas a madeira que nos recebem, mas o problema é que depois de voltar a cheirar, mais uma e duas vezes era a madeira que nos perseguia, ou seja, o nariz está demasiado amadeirado. Compete com as frutas que aparecem bem no fundo, acanhadas. Ainda bem que a boca veio mudar um pouco a história. Nota-se a madeira, mas deixa lugar ao aparecimento das frutas, amora e framboesa e algumas notas especiadas. É um vinho que precisa de garrafeira; a madeira está muito carregada e acaba por cansar, principalmente no nariz.
É um Touriga Nacional que não vamos guardar muitas recordações, pelo menos por agora. Para um Touriga do Dão, merecia mais e melhor.

Nota: C-

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Má Partilha Merlot 2005

“O desenho deste primeiro Merlot português começou na vinha, que foi plantada à maneira das vinhas de Pomerol, uma das principais regiões da sua cultura, ou seja com uma densidade de plantação típica das velhas vinhas e do “terroir” desta região. Apresenta ainda outra característica tecnológica, a de finalizar as fermentações, alcoólica e maloláctica, em barricas. O “Má Partilha” é um vinho muito atractivo para a maioria dos apreciadores de vinhos e a prova está no facto de se ter tornado muito rapidamente num “best-seller” em Portugal e ter merecido comentários como o que transcrevemos, publicado no “Wine Times” há alguns anos: “this wine promises to become one of the great merlot-based wines of the world in the near future”.” Inteiramente produzido com a casta Merlot em solos argilo-calcários de uma vinha localizada nas encostas suaves de Azeitão. A fermentação é parcialmente feita em meias-pipas novas de carvalho. Estagia durante seis meses nesta mesmas meias-pipas.

Cor granada. Nariz muito frutado, com frutas em compota, amoras, cerejas e alguma ameixa preta, tudo bem harmonizado com fragrâncias balsâmicas que chegam devagar, cautelosas, mas que se vão evidenciando com tempo em copo. Aguenta-se muito bem, evoluindo para aromas mais especiados. A boca é estruturada com taninos suaves, ameixas, groselhas, torrefação (equilibrada) e o final trás sabores leves, muito leves, a café ou algo do género.

Em 1998 João Paulo Martins classificou este Merlot como melhor vinho português de casta estrangeira. A honra não foi mal dada, é um vinho muito bom. Diferente do que estamos acostumados a provar. É uma casta com características muito próprias. Acompanhará bem pratos de guisados, frango, vitela…por aí…
PVP: 13-19€

Nota: B-

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Monte da Cal Tinto 2006

A Herdade Monte da Cal, propriedade localizada no Concelho de Fronteira. “Situado a 35 quilómetros da cidade de Portalegre, o projecto constitui-se como a mais recente aposta da sociedade e a primeira localizada no Alentejo. Como nos outros empreendimentos, a ideia passa por potenciar o que de melhor tem a região onde se está inserido. (…) Comprada em 2003, a propriedade, com uma centena de hectares, possuía já uma área de 20 hectares com velhos encepamentos, parte dos quais foram arrancados para dar lugar a novas plantas. (…) Actualmente, existem ali 45 hectares de vinha, maioritariamente de uvas tintas. Uvas produzidas em terrenos caracterizados por uma forte presença de argila e xisto, sob os quais incide um impiedoso calor durante o Verão.” Samuel Alemão, Revista de Vinhos. Para este vinho foram seleccionadas as castas Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Touriga Nacional fermentadas em cubas de inox. A enologia está a cargo de Carlos Lucas.

Cor vermelha intensa. O nariz é conciso e directo, sem austeridades e outras coisas que o atrapalhem. Fruta madura (morangos e groselhas) casada com sugestões vegetais. Alguma fumaça sobe no ar. Na boca comporta-se bem, medianamente fresco, com taninos redondos. Muita fruta vermelha, leves toques florais, especiarias e o final é de média persistência.

Por este preço claro que se consegue arranjar muito melhor, mas não é preciso ir para a concorrência, o “irmão” reserva tem uma qualidade/preço do melhor. O reserva ronda os 10-12€ e delicia qualquer provador. Para provas e bebidas mais descomprimidas, este vai bem, é verdade.
PVP: 6€

Nota: C

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Morgado de Santa Catherina Reserva Branco 2007

“Em 1703, o terceiro Conde de Castello Melhor, antigo primeiro ministro do Reino, integrou a Quinta da Romeira no Morgadio de Santa Catherina, uma propriedade de grande dimensão baptizada em honra de um membro distinto da família real – Rainha Catherin, esposa de Carlos II, Rei de Inglaterra. O projecto da Quinta da Romeira começou em 1988 e focou-se no restauro do Solar do séc. XVIII e de uma Capela, na construção de uma adega “bem moderna” e na plantação de cerca de 80 hectares de vinhas, na sua maioria de casta Arinto, originária de Bucelas e grande responsável pela qualidade dos vinhos desta região, a uva mais apropriada para o vinho de Bucelas, onde beneficia de um clima único proporcionado pelo vale entre o mar e o rio.” Feito apenas de Arinto fermentado em barricas novas de carvalho francês e estágio de 9 meses com batonnage. João Corrêa e Nuno do Ó fazem a enologia.

Cor brilhante; amarelo de média intensidade. Nariz frutado, fresco e mineral, com fruta a lembrar ananás e maçã de inicio e depois aos poucos vão aparecendo peras e marmelos. A madeira está muito bem integrada, ao de leve mas a dar complexidade. Sabores do estágio aparecem novamente a envolverem-se muito bem com as frutas num perfil maduro. Boa linha de boca e persistente.

Um Arinto muito bom. Um bom exemplar de um vinho de Bucelas. Cada vez mais é uma região que se está a profissionalizar em produção de brancos. Está a um preço muito “ amigável”, fazendo jus á qualidade. Muito aconselhável.
PVP: 9€

Nota: B-

Cadouços Natur Tinto 2007

Situada no lugar de Água Travessa, na freguesia da Bemposta, concelho de Abrantes, com cerca de 600 hectares, a Herdade de Cadouços apresenta um novo conceito de turismo rural aliando o aspecto típico e rústico ao conforto da vida no campo. Caracterizada pelo azul das 8 extensas albufeiras emolduradas pelo verde dos campos e dos montados de sobro, na Herdade de Cadouços poderá desfrutar da NATUREZA AO NATURAL. "O funcionamento da Herdade obedece a preocupações ecológicas e a produção de vinho é feita com recurso à agricultura biológica. A vinha conta com 52 hectares, onde existem 11 castas exclusivas tintas. Uma condição propositada desde o inicio do projecto, da mesma forma que foi a opção da produção biológica." Como é normal este método tem custos maiores e isso reflecte-se no produto final. É muito normal encontrar estes produtos em lojas Gourmet e afins…a preços elevados. Este vinho até tem um preço bem ajustado. A herdade conta com David Baverstock como consultor de enologia. Este Cadouços é feito com Aragonês, Touriga Nacional e Merlot, estagiadas durante 6 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais seis meses em garrafa.

Ruby intenso. Vinho muito fácil de provar, muito dado. Apesar de não ser muito exuberante, o que mostra é bonito, e tudo num conjunto bem equilibrado. Morangos e cerejas maduras, madeira verde e algum cacau e flores silvestres. A boca é mais complexa que o nariz, encorpada, mais expressiva. Taninos vivos mas macios, fruta vermelha fresca, sabe a morango e a cerejas. Aliado a este conjunto está a madeira com bons sabores. Boa acidez no final.

Gostámos do vinho. Para ser sinceros, não encontrámos assim muitas diferenças, por ser um vinho biológico. Alguns dizem ser mais aromático, neste caso não conseguimos dizer sim a essa afirmação. Num geral gostámos do vinho, e vale cada euro…
PVP: 7-8€

Nota: C

Vinhos Pingo Doce & Encosta da Estrela Branco 2008


3 vinhos, 3 escolhas anti-crise. Já tínhamos vontade de provar os vinhos Pingo Doce. Diziam que eram baratos e eram bons… E lá fomos nós provar estes vinhos… Vinhos que rondam a casa dos 2 euros, bons para esta época de crise, época em que muitos consumidores só podem tirar uma moeda da carteira, essa moeda pode ser de 2 euros, e até já vão bem servidos… Aqui ficam as nossas opiniões ou “críticas”:

Pingo doce Palmela Branco 2008
Cor amarelo citrino. Nariz principalmente frutado, fruta já algo madura, a destacar-se a pêra, algum marmelo em cozedura, uma fruta fácil de descrever, sã, muito interessante! Ligeiro floral, talvez flores brancas e alguma casca de laranja. Boca com menos personalidade, falta-lhe um pouco mais de acidez… continuam as frutas maduras a aparecer, notas de marmelada, pêra bem madura, toques de biscoito que se propagam pelo interior da boca.
Nota: D+

Pingo doce Douro Branco 2008
Cor citrina, um pouco mais marcada por laivos amarelados. Nariz discreto, com fruta que custa aparecer. Liberta aromas de fruta fresca, laranja, algum limão, notas florais muito “fracas”, que se deixam encobrir por algum vegetal (nada de grandes mordomias). Boca de estrutura média, com boa acidez, boca idêntica ao nariz, com fruta madura, alguma laranja, pêra, algo mineral, terminando com um toque acídulo.
Nota: D

Encosta da Estrela Branco 2008
Nariz saudável, com aromas predominantes a fruta de pomar, maça verde, pêra, toques de casca de limão, nariz pouco ambicioso, também não poderíamos pedir mais por este vinho… com um pouco de arejamento surge alguma erva-doce, não sei será assim tão bom, pois torna o nariz um pouco enjoativo. Boca morta, com pouco para mostrar, falta-lhe acidez, estrutura, aromas que deixem a boca satisfeita… apenas aparecem notas de fruta madura, mas nada surpreendente. Mesmo para um vinho de 1,50€ pedimos um pouco melhor.
Nota: D-

Se tivermos de escolher entre os 3, escolhemos o Palmela do Pingo Doce. É um vinho com mais personalidade, com algo mais para mostrar. A fruta aparece com mais vivacidade, não se esconde, enquanto que o Douro do Pingo Doce e o Encosta da Estrela teimam em não oferecer aromas (talvez não os tenham)… Amigos, o Palmela Pingo Doce, é um vinho bastante atractivo, preço baixo, qualidade que vai surpreender devido ao preço baixo a que está a ser vendido. Foram mais umas provas e opiniões que podem ajudar na altura da compra.

Quinta da Bacalhôa Cabernet Sauvignon Tinto 2007

Temos em mãos um vinho muito prestigiado em Portugal, conhecido e algo afamado, não só pela qualidade mas também pela história que o envolve. “O Palácio e a Quinta da Bacalhôa, em Azeitão, formam só por si um monumento artístico da mais alta significação em Portugal. Foi o inicio de uma grande revolução artística chamada a Renascença. Impunham-se regras de simetria e ordem, subordinava-se o traçado do edifício a um todo homogéneo, formando como o homem, um ser único e simétrico nas suas partes. A Bacalhôa será talvez e edificação, em que se estreou em Portugal o estilo arquitectónico da Renascença, uma estreia de transição mas que também não obedece a um estilo puro. Os seus vinhos, o Quinta da Bacalhôa e o Palácio da Bacalhôa, são dos mais famosos de Portugal. A discrição da doação feita em 1426 por D. Duarte, filho de D. João I, Rei de Portugal, ao seu irmão Infante D. João de toda a Quinta da Bacalhôa, que vem descrita com «todos os seus paços, casas, adegas, lagares, terras de pão, vinhas, pomares, olivais, matos e terras baldias, pocigos, águas». Conhecem-se vinhas no início do séc. XX, mas uma nova fase da sua produção inicia-se em 1974. O então proprietário Thomas Scoville convence António d'Avillez a criarem um vinho de topo que revolucionasse o sector em Portugal. Decidiram plantar uma vinha com as castas Cabernet Sauvignon e Merlot, encepamento típico de Bordéus. As condições edafoclimáticas da Quinta, a sua exposição suave a Norte e os seus solos, permitem uma maturação longa e completa das duas castas. Estas condições especiais marcam e personalizam o vinho aí produzido. A primeira colheita é o 1979 e logo foi considerado um dos melhores vinhos de Portugal. Desde então todos os anos é lançado um novo Quinta da Bacalhôa. Em 2000 é lançado pela primeira vez uma nova marca da Quinta, o Palácio da Bacalhôa, um “1º vinho” da propriedade que será produzido só nas melhores colheitas.”
A Quinta está localizada nas meias-encostas de Azeitão viradas a Noroeste. O clima é ameno devido à forte influência Atlântica. A vinha foi plantada em 1972, em solos calcários vermelhos e bem drenados, com as castas Cabernet Sauvignon (90%) e Merlot (10%). Os vinhos elementares são fermentados, sem engaços, a temperatura controlada (25º C), durante cerca de uma semana. Segue-se um período de “cuvaison” (maceração pelicular pós-fermentiva) de 4 a 6 semanas, que promove tanto uma maior extracção dos elementos nobres das películas como a subsequente fermentação maloláctica. Finalmente separam-se os vinhos das partes sólidas, elaborando-se o lote final. O vinho estagia durante 9 a 14 meses em barricas de carvalho. A enologia está a cargo de Filipa Tomaz da Costa e Vasco Penha Garcia.

Cor brilhante, vermelha intensa. As características da casta Cabernet estão bem vincadas em prova, com groselhas e ameixas bem frescas e maduras junto de aromas florais e vegetais intensos. Muita balsa a andar de um lado para o outro. A boca é carnuda e rugosa, com taninos assanhados. Com toda esta frescura de taninos e sabores vegetais notados, chegam algumas frutas e sabores tostados de intensidade mediana. Um vinho que enche a boca e que termina apimentado e persistente.

Segundo consta, deve ter sido o primeiro Cabernet Sauvignon a ser introduzido no sul do país. É uma casta com muitas potencialidades e modernidades, ganhando sempre com o tempo em garrafa.
PVP: -25€

Nota: B-

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Calheiros Cruz Tinto 2007

É no Douro, Baixo-Corgo, perto da régua, que se situam as quintas e adega da empresa Calheiros Cruz. “José Carlos, oriundo de uma de vitivinicultores do Douro, retomou a tradição familiar em 1978, vinificando o Vinho do Porto na adega dos seus avós a partir dos lagares existentes. Ao mesmo tempo, tomou a seu cargo quatro quintas: Covelos, Curvaceira, Redolho e Travassos, todas no conselho de Peso da Régua, perfazendo num total 35 hectares. Em 1982, com um conhecimento mais profundo do potencial vitivinícola das suas propriedades, decidiu crescer na produção de vinho do porto. Para isso construiu uma adega moderna. A empresa tem hoje uma capacidade de produção de 1,5 milhões de litros, dos quais 1 milhão é de vinho generoso. Após o falecimento, em 2003, sua esposa Madalena, ajudada pelo seu filho Miguel, assumem os destinos da empresa. Anselmo Mendes é o enólogo principal, Sofia Vicente a enóloga residente. Apostando desde inicio numa estratégia de inovação e diferenciação, acompanhada de avultados investimentos em modernização tecnológica, foi-lhe atribuído o prémio de “Adega do Ano” em 2001 pela Revista Wine & Spirits.” Feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca, vinificadas e estagiadas em cubas de inox.

Ruby de média intensidade. Nariz com fruta fresca, nada enjoativa, junto de vegetais frescos. Muito morango, cereja e ameixas. Flores vermelhas e ervas aromáticas. Sugestões fumadas. O nariz é agradável, nós gostámos do seu ataque e personalidade, apesar de não ser nada de grandes exuberâncias ou luxos. A boca mostra mais que o nariz, é mais completa. Fruta sempre em alta, vegetal, fumados e o final é ligeiramente especiado. Os taninos são prestáveis, redondinhos que nem um alentejano. Boca de média persistência.

Bom vinho. Por apenas 4€ não se perde nada em provar. Consumir desde já, enquanto ainda está “fresco” na vida. Acompanhá-lo com uma lasanha ou algo do género, não fica mal. Os vinhos a este preço são cada vez mais surpreendentes e deliciosos.
PVP: 4€

Nota: C

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Casa da Palmeira Reserva Tinto 2004

Em 1898, Manuel Joaquim Pinto, estabelecido em Vila Nova de Gaia desde 1889 com armazéns de vinho do Porto, compra várias propriedades e vinhas do Douro Superior, fixando na Foz do Sabor a sua actividade de preparação, e transporte de vinhos para Gaia. Mais tarde, em 1932, faz parte do grupo exclusivo de fundadores da Casa do Douro. Hoje na quarta geração, foi a mesma paixão pela terra e pelo vinho que deu origem a néctares DOC Douro de excepção, que os enófilos têm acolhido com entusiasmo. A actividade de Manuel J. Pinto continua centrada na foz do Sabor, onde o Douro vai carregado de força, sabedoria e beleza, espalhando os seus dons rio abaixo. Logo ali, bem perto, entrincheirada entre os rios Douro e Sabor, fica a Quinta de Vila Maior, onde um aturado trabalho de restauro, recondicionamento de vinhas e instalação de tecnologia de ponta de os seus frutos, logo na primeira colheita engarrafada em 1999. As vinhas estendem-se através de 50 hectares. É na Quinta de Vila Maior que estão instaladas todas as infraestruturas relacionadas com a produção de vinho e com trabalhos na vinha. A traça dos edifícios é antiga e a intervenção de restauro tentou preservar o charme de outrora, juntando-lhe a funcionalidade que os tempos modernos exigem. A adega conta com lagares de granito para a pisa das uvas, equipados com um sistema de circulação de mosto através do frio, antes da fermentação. Cai depois por gravidade, para cubas de inox de três etapas – únicas no seu género em Portugal – onde as fermentações alcoólica e maloláctica ocorrem a temperatura controlada. A enologia está a cargo do produtor e da prestação de serviços de Álvaro Van Zeller, conceituado enólogo no mundo dos vinhos. Para este vinho foram seleccionadas as castas Tinta Roriz (40%), Touriga Franca (40%) e Touriga Nacional (20%). A fermentação deu-se em cubas de inox, a temperatura controlada. 20% do lote foi estagiado em barricas novas de carvalho francês ao longo de 12 meses e o restante em barricas de carvalho francês e americano de 2º e 3º ano, durante 23 meses. Estágio final em cubas de inox.

Cor ruby muito carregada, com laivos granados. Nariz que precisa de um pouco de arejamento, como é normal, libertando depois muita fruta madura, algumas ervas aromáticas agregadas a um ligeiro floral notas a chocolate e menta. É um nariz interessante, cativante, com notas já um pouco evoluídas, aparecendo depois no final aroma a bolo de noz. Boca com boa estrutura, com taninos já polidos, mas estão lá com personalidade, a boca veio confirmar o nariz, com fruta bem madura, algum floral e notas de especiaria (pimenta). Surge alguma tosta bem integrada no corpo do vinho. Boa persistência e linha de boca.

Um clássico Duriense pronto a ser provado, apesar de poder ir para garrafeira mais uns meses valentes. Já que no fórum (aqui) se fala tanto da casta Tinta Roriz e a sua importância nos vinhos, aqui está mais um exemplo onde a casta é quase líder. É fundamental nesta região. Concordamos com a afirmação de um enófilo, nosso conhecido, David Ribeiro (Tovi): “Mas não nos podemos esquecer da importância da Tinta Roriz nos blends do Douro… Sempre ouvi dizer que quando necessitamos de aumentar o teor alcoólico e de criar resistência à oxidação, lá temos que ir buscar esta casta e muito provavelmente é por isso que a podemos encontrar no mítico Barca Velha e em praticamente todos os clássicos Portos.” Isso mesmo!
PVP: 7-10€

Nota: B-

domingo, 1 de Novembro de 2009

Follies Alvarinho – Loureiro 2008

Aqui está mais um exemplar da zona norte de Portugal. Este é um dos brancos que ficou muito bem aliado ao calor que se fez sentir nestes últimos dias, antes destas fortes chuvas… Para nós, a junção destas duas castas, Alvarinho e Loureiro, cria vinhos com uma elegância muito interessante, com boa acidez, com fruta considerável e que acima de tudo, transmite prazer para quem bebe. Mas podemos perguntar. Porquê este nome Follies? Citando do site, diz: “Nos códigos da arquitectura, a Folly coincide com uma estrutura decorativa, não funcional, excêntrica e simbólica, erguida por alguém que se alimenta pela simples paixão de construir. Manifestações de pura arte, que também a Aveleda se orgulha de possuir. O impulso criador é isso mesmo. Vale por si não necessitando de qualquer justificação lógica. Tal como o prazer, que se realiza não porque precisamos, mas porque queremos, porque sentimos. Cada uma com a sua história para contar e associada a um vinho específico dentro da gama FOLLIES. Assim, cada um destes 5 vinhos celebra, através do seu rótulo, uma das Follies da Aveleda.”

Sai um vinho com cor amarelo citrino. Aromas virados para o lado frutado, fruta pouco madura, alguma maça verde, pêra e um toque de marmelo. Um vinho fácil de apreciar, com fruta bem distinguida, não caindo em excessos. De base entram algumas flores, como a flor de laranjeira, por exemplo. Boca idêntica ao nariz, agora com fruta um pouco mais madura, e a salientar mais o marmelo, tudo muito fresco, boa acidez, preenche bem a boca, agradável à primeira vista.

É um vinho atraente onde lidera a elegância. Este é um dos vinhos indicados para a época que já passou, o Verão, acompanhar com gambas, massas frias ou saladas. É um vinho com muito boa acidez e estrutura. Bom preço!
PVP: 7-9€
Nota: C+